vai embora, nuvem

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Respostas a um questionário escolar de R. W. Fassbinder

Como se imagina na velhice?

Não conto com isto.

O senhor considera que os doentes mentais são um peso para a sociedade?

Em nossa sociedade não existe ninguém que não seja doente mental.

Acha que as pessoas que lhe são próximas o amam?

Eu lhes dificulto tanto a tarefa que sobram poucos para me amar.

O senhor encara o futuro com otimismo ou com pessimismo?

Não penso nisso.

Seus filmes de TV baseiam-se em acontecimentos reais?

Não existem acontecimentos reais. O verdadeiro é o que vem da arte.

O senhor se deixa influenciar por outros na escolha de um tema ou decido tudo sozinho?

A partir do momento em que não se decidiu viver numa ilha deserta, não se decide mais nada.

Como vê seu futuro, profissional e pessoal?

Não existe passado, não existe presente e portanto também não existe futuro.

Alta resolução Seguindo os passos de Ozu — Para chegar ao túmulo do cineasta japonês 小津 安二郎, você deve pegar a linha de trem 横須賀線 em Tóquio, que parte das estações 東京, 新橋 e 品川. Desça na estação 北鎌倉駅 e caminhe em direção ao templo 円覚寺. Lá dentro, pergunte pela ponte 山門, que o levará ao templo 仏殿. Ali tem um atalho que dá direto no sino 洪鐘, onde fica o mapa do cemitério. O túmulo de Ozu fica à extrema esquerda da terceira fileira traseira.Chegando lá, seguindo o mapa desenhado por Kurt Eastwood, você não encontrará o nome do cineasta, mas o ideograma 無, que quer dizer: o não, a ausência, o vazio.

Seguindo os passos de Ozu — Para chegar ao túmulo do cineasta japonês 小津 安二郎, você deve pegar a linha de trem 横須賀線 em Tóquio, que parte das estações 東京, 新橋 e 品川.

Desça na estação 北鎌倉駅 e caminhe em direção ao templo 円覚寺. Lá dentro, pergunte pela ponte 山門, que o levará ao templo 仏殿. Ali tem um atalho que dá direto no sino 洪鐘, onde fica o mapa do cemitério. O túmulo de Ozu fica à extrema esquerda da terceira fileira traseira.

Chegando lá, seguindo o mapa desenhado por Kurt Eastwood, você não encontrará o nome do cineasta, mas o ideograma 無, que quer dizer: o não, a ausência, o vazio.

O raio verde // Le Rayon vert (Éric Rohmer - 1986)

“Não vê que sou diferente? Para mim, nada é óbvio. Não sou normal. Se eu tivesse algo para dar, todos já teriam visto. Ninguém viu nada. E a culpa é toda minha. Eu me esforço para ouvir as pessoas, para falar com elas. E nada! Eu sou aberta. Eu acho que sou. Eu escuto, observo o que está se passando. Mas, se as pessoas não se aproximam, é porque não mereço. Não tenho nada a oferecer.”

(via euvejoumrinoceronte)

Alta resolução Em 16 de abril de 1972, o diretor Andrei Tarkovski rascunhou uma lista com seus filmes preferidos para Tom Lasica, da Sight and Sound. Ele começou pelos nomes dos diretores:

Buñuel
Mizoguchi
Bergman
Bresson
Kurosawa
Antonioni
Vigo
Dreyer
Logo depois, organizou uma lista de filmes:

Diário de um pároco de aldeia (1951)
Luz de inverno (1962)
Nazarín (1959)
Morangos silvestres (1957)
Contos da lua vaga (1953)
A palavra (1955)
Os sete samurais (1954)
Persona (1966)
Mouchette (1967)
A mulher de areia (1964)
E, em seguida, a lista final, tirando Dreyer de campo e incluindo Chaplin:
Diário de um pároco de aldeia (1951)
Luz de inverno (1962)
Nazarín (1959)
Morangos silvestres (1957)
Luzes da cidade (1936)
Contos da lua vaga (1953)
Os sete samurais (1954)
Persona (1966)
Mouchette (1967)
A mulher de areia (1964)
Agora críticos se ocupam em interpretar por que mais luzes e menos palavra.

Em 16 de abril de 1972, o diretor Andrei Tarkovski rascunhou uma lista com seus filmes preferidos para Tom Lasica, da Sight and Sound. Ele começou pelos nomes dos diretores:

  • Buñuel
  • Mizoguchi
  • Bergman
  • Bresson
  • Kurosawa
  • Antonioni
  • Vigo
  • Dreyer

Logo depois, organizou uma lista de filmes:

  1. Diário de um pároco de aldeia (1951)
  2. Luz de inverno (1962)
  3. Nazarín (1959)
  4. Morangos silvestres (1957)
  5. Contos da lua vaga (1953)
  6. A palavra (1955)
  7. Os sete samurais (1954)
  8. Persona (1966)
  9. Mouchette (1967)
  10. A mulher de areia (1964)

E, em seguida, a lista final, tirando Dreyer de campo e incluindo Chaplin:

  1. Diário de um pároco de aldeia (1951)
  2. Luz de inverno (1962)
  3. Nazarín (1959)
  4. Morangos silvestres (1957)
  5. Luzes da cidade (1936)
  6. Contos da lua vaga (1953)
  7. Os sete samurais (1954)
  8. Persona (1966)
  9. Mouchette (1967)
  10. A mulher de areia (1964)

Agora críticos se ocupam em interpretar por que mais luzes e menos palavra.

Agir, ainda que desesperadamente

O que faz um homem que não sabe mais o que lhe vai por dentro?

Ricardo Lísias grita. Spyros silencia.

O primeiro perdeu o melhor amigo para o fantasma do suicídio. O segundo, o que ainda restava de sua virilidade.

Cada um deles vive sua decadência em um suporte material (papel pólen, película cinematográfica) e em diferentes países (Brasil e Líbano, Grécia), mas a dor é a mesma. É impossível defini-la com palavras; expressões como “estresse pós-traumático” e “crise de meia-idade” exercem o mesmo efeito que as garras de um gato na areia ou uma pitada de sal no mar Morto.

No romance de Ricardo Lísias, o narrador Ricardo Lísias não dá conta da culpa de não saber se teve culpa ou não na morte do melhor amigo. Como ele poderia ter evitado algo que poderia não ter acontecido? Quando lhe dão a entender que caminha sob um teto negado ao melhor amigo, que desprezou o dom da própria vida e por isso não merece um céu, Ricardo gira a torneira do desequilíbrio e espera que o caudal do seu tormento purifique sua vida.

No filme de Theo Angelopoulos, resta a Spyros viajar sonâmbulo pelo país após casar sua filha única e se separar de sua mulher. Pouco depois de se arrastar à deriva, ele já está invadindo um restaurante com um caminhão para resgatar a única alma que se junta a ele na estrada (mas não no coração). Só consegue a redenção quando liberta do cativeiro as criaturas que lhe dão o mel.

Ricardo e Spyros nunca deixam de agir, ainda que desesperadamente, porque mesmo na desolação persiste aquela esperança de no fim poder dizer que não se morreu de amor à morte, e sim à vida, como homenagem aos que tornaram nossa existência menos precária.