vai embora, nuvem

Tão perto, tão longe — Se observadas a distância, parecem gravetos e não bronze as figuras humanas que esculpia Alberto Giacometti, o artista plástico suíço-italiano de quem Jean-Paul Sartre disse em um ensaio que “restitui às estátuas um espaço imaginário e indiviso. Ao aceitar de saída a relatividade, encontrou o absoluto. É porque ele foi o primeiro a ousar esculpir o homem tal como o vemos, isto é, a distância.”

A distância, tem-se a impressão que, de tanto esculpir as figuras humanas delgadas que o tornaram famoso, Giacometti acabou estreitando sua visão. Passou a não mais enxergar o homem tal como o via (ou seja, a distância), mas sim suas próprias estátuas como as via (ou seja, a distância da distância): suas posteriores telas a óleo parecem já não retratar humanos, e sim estátuas humanas, bastante semelhantes àquelas que fazia. Quanto mais longe ia no amadurecimento do conjunto de sua obra, para mais longe dos humanos essa sua miopia o levava.

A cada passo que se dá para se aproximar de suas obras, expostas até 17 de junho na Pinacoteca do Estado de São Paulo, tanto maior é a dificuldade de entender - entre corpos esguios, cabeças minúsculas sobre bases enormes, gaiolas frágeis com prisioneiros ainda mais delicados e bustos incompletos - como um homem conseguiu dizer de forma tão humana: nunca seremos capazes de conhecer um ser humano de perto.